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Os fanzines sempre estiveram presentes no Circo Voador. Lá milhares de cópias de pensamentos, manifestações, quadrinhos e informativos encontraram um espaço que coincidia com a filosofia dessas publicações marginais. Por ser um palco que sempre esteve aberto à transgressão, ao “estrangeiro” (no sentido mais antropológico do termo), é natural que as pessoas que produzem fanzines estivessem sempre circulando por lá. E quem
são essas pessoas? Poetas, músicos, skatistas, desenhistas,
gente sensível, gente radical. Não existe um perfil exato
do zineiro. Como também não existem registros exatos da
primeira
banca de fanzine no Circo Voador. No Circo Voador era grande o número de demos que chegava todo mês. Nem todas as bandas conseguiam tocar no palco da lona. Mas a política sempre foi de abrir espaço para quem está começando. Seja em festivais específicos, como o SuperDemo, ou abrindo shows de nomes consagrados, várias bandas iniciantes se lançaram para o mainstream sob os Arcos da Lapa. Muitos não conseguiram o reconhecimento de crítica e público tão desejado. Mas todos têm guardado na memória a emoção de tocar no Circo Voador. Quando os fanzines começaram a ganhar força no Brasil, na década de 80, muita gente achou que era o renascimento dos impressos alternativos surgidos nos anos 60/70 com os hippies. Acontece que punks e hippies tem visões muito diferentes do mundo. Se pensarmos em quantos não se encaixam no estereótipo criado para cada um, então, mais ainda. Mas ambos (ou todos) concordam no óbvio: o verbo, falado ou escrito, tem força. Esse verbo era FAZER. Só que não mais paz e amor. Era a guerra urbana, a cidade sitiada, as paredes pichadas. O imaginário punk encontrou uma ressonância distorcida e jogou no papel. Escarros de tinta nanquim com a podridão das cópias feitas em máquina de toner líquido geraram zines. E por que não fazê-los? Se os avanços tecnológicos nos permitem, o custo de produção é razoável, queremos escrever, pode ser que alguém queira ler, então por que não fazê-lo? O mesmo vale para o palco: o Circo estava montado, o Perfeito Fortuna ou a Maria Juçá apresentavam os shows, milhares de bandas, grupos, trios, solos, orquestras, performáticos, bailarinos tinham o que falar, por que deixar de voar? Durante 15 anos as atrações se revezaram, com algumas interrupções políticas e financeiras no percurso, mas sempre com uma proposta em relação às bandas bem parecida com a que um fanzineiro tem na hora em que está montando seu zine. A vontade de tornar público uma informação essencial, uma coisa que não pode ficar escondida para sempre, mesmo que alguns não queiram ver. E isso não é nada menos do que querer nos mostrar. Mostrar nós mesmos, fora dos padrões globalizados, com todas as pelancas e tal. |
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