LOUD!


"Limpe os pés antes de entrar nessa lona sagrada"
Herbert Vianna

  Nenhum outro palco carioca abrigou atrações tão diversas quanto o Circo Voador.  O palco do Circo, constantemente sob a proteção da imagem de São Sebastião, abrigou desde bandas sem um único registro fonográfico até os maiores nomes da música brasileira, sem distinção de tratamento.

Ainda quando a lona do Circo estava montada no Arpoador, Caetano Veloso foi um dos primeiros a vislumbrar as possibilidades do recém inaugurado projeto : "Esse circo está lindo, tem tudo para levantar vôo", declarou ele visionariamente, depois de fazer uma participação especial em um dos primeiros shows da Blitz no Circo. A banda que alcançou o estrelato e vendeu millhares de discos em todo o Brasil deve muito de seu sucesso ao Circo Voador, e vice-versa. Foram Evandro Mesquita e sua trupe que fizeram o primeiro show do Circo Voador no Arpoador, e também inauguraram a lona pousada na Lapa.

A Blitz foi o primogênito mas depois deles o Circo Voador ainda deu muitas crias. E foi no útero, ou melhor, no palco da mãezona Circo Voador que se desenvolveu toda uma geração do rock nacional. O projeto Rock Voador, idealizado por Maria Juçá, serviu de pista de decolagem para bandas que ajudaram a perpetuar a história do rock'n'roll brasileiro, tais como Legião Urbana, Barão Vermelho, Plebe Rude, Os Paralamas do Sucesso e dezenas de outras. 

E não foi apenas o rock que fez história no palco do Circo. Aquele tablado serviu de refúgio para a manutenção de uma das maiores tradições culturais de nossa cidade, a gafieira, com o projeto Domingueira Voadora que duraria até o criminoso fechamento da lona democrática. Como todo bom boêmio o palco do circo voador tem muitas histórias para contar. A partir do momento em que Maria Juçá ou Perfeito Fortuna assumiam o microfone para anunciar as atrações da noite, tudo podia acontecer. Como no dia em que ninguém menos que Raul Seixas subiu ao palco do Circo. A platéia, extasiada com a presença do cantor, parecia não acreditar no que estava vendo.

Difícil de acreditar também foi o sumiço de Tim Maia. O síndico gordão, como não poderia deixar de ser, também já cabulou um showzinho lá no Circo, deixando o Perfeito Fortuna em maus lençóis com a galera. Mas tudo ficou numa boa e Tim Maia tocou muitas outras vezes no Circo. E se o palco aguentou o Tim Maia, aguentou o João Gordo, podia perfeitamente aguentar o Fausto Silva. O redondo apresentador, na época em que ainda era engraçado e desbocado, gravou uma série de seu antigo programa, Perdidos na Noite, no Circo Voador. Aquele palco era tão democrático que era comum ver mais gente curtindo o show em cima do palco do que na pista.


Encontrando alguma dificuldade, contacte-nos: webmaster@circovoador.com.br